Viver sempre na linha tênue entre o bem e o mal. Um pico de alegria e amor que se transforma em ódio e tristeza profunda em um piscar de olhos. A Médica-Veterinária Eliane Jéssica Ruwer diagnosticada com transtorno de borderline e transtorno de bipolaridade afetiva, no auge da pandemia em 2020, luta contra a doença psíquica desde os 18 anos de idade.

No início, Eliane não entendia e não sabia como lidar com os sintomas, foi quando decidiu procurar ajuda psiquiátrica que, na época, foi detectada com depressão e ansiedade. “Sentia angústia, falta de amor próprio, raiva, sem valor e esperança. Queria apenas sumir. Pensava todos os dias em tirar minha própria vida, mas graças a Deus me faltava coragem, relata emocionada”.

Uma luz no fim do túnel

Aceitar a doença e conviver com os amigos de quatro patas ajudou no tratamento da depressão e do transtorno. “Agradeço aos meus animais de estimação pois eles me ajudaram a sentir mais amor e carinho. De uma cadelinha adotei cinco gatos e cinco cachorros sem raça definida. Minha vida melhorou muito com a convivência com os Pets. Ter o amor incondicional desses animais fez diferença no meu tratamento”.

Ela garante que qualquer pessoa diagnosticada com depressão, ansiedade ou algum transtorno e tiver condições de criar um animal, deve adotar pois notará a melhora no tratamento em pouco tempo. “Com os medicamentos certos, a minha doença está estabilizada. Hoje, eu sinto vontade de viver um dia de cada vez, sinto amor e gratidão nas pequenas coisas e isso eu devo à convivência com os meus animais. Eles me ajudam a viver de forma leve e alegre, pois sempre estão felizes querendo brincar. Tenho muito mais comprometimento e responsabilidade”, declara Eliane.

Estudos

Existem estudos em alguns países de pessoas diagnosticadas com distúrbio depressivo grave que apresentam melhoras significativas com a convivência com os animais. No Brasil ainda há poucas pesquisas.

De acordo com a Psicóloga, Cristina Parisi, na área da psicoterapia assistida, há um reconhecimento no tratamento para doenças psíquicas com animais, bem como o apoio à convivência com Pets em casa, para tratamentos onde o foco é no processo cognitivo, emocional e na comunicação, sempre com a meta de redução de sintomas e melhora na qualidade de vida.

Os cuidados com o animal, o toque, o contato, as conversas mesmo que unilaterais, o olhar, a presença… tudo contribui para que a pessoa encontre companhia e auto responsabilize-se por algo além de si mesmo, num contato amoroso e desinteressado, interferindo diretamente na autoestima e crescimento cognitivo, social, emocional e psíquico. Por isso funciona muito bem em casos de depressão e ansiedade”, explica a psicóloga.

Cristina alerta que não é uma regra e nem uma obrigação ter um animal de estimação quando se está passando por doenças psíquicas. “É preciso identificar as preferências e crenças individuais. O foco no tratamento em saúde mental sempre é o paciente. Isso vale também para a hora de escolher qual o animal para intervenções ou para se ter em casa”, afirma.

 

 

Por Scheila Müller

Assessoria de comunicação CRMV-RR