O Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Roraima (CRMV-RR), José Ricardo Soares da Silva, participou nos dias 9 e 10 de junho da 2ª Câmara Nacional de Presidentes do Sistema CFMV/CRMVs de 2022.

O encontro ocorreu no Rio de Janeiro, em formato híbrido, presencial e virtual. Durante o evento foram apresentados dados das ações do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), entre outros assuntos que envolvem todo o sistema CFMV/CRMVs.

José Ricardo agradece pela oportunidade de participar de mais um encontro onde o objetivo é cada vez mais trabalhar com ética e transparência com resultado na valorização profissional. “A troca de experiências entre os outros regionais é de extrema relevância para que a unificação do Sistema CFMV/CRMVs seja cada vez uma realidade”, afirma o presidente.

Foram convidados especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) para debater formas de trabalho integrado entre as medicinas Veterinária e humana e a Biologia para a saúde e o bem-estar únicos.

O médico-veterinário Paulo Abilio, pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), coordenou o fórum e compartilhou as experiências do programa de saúde única da Fiocruz. Da concepção às ações, Abilio explicou como funcionam as iniciativas de acolhimento de animais, controle e prevenção de zoonoses, educação continuada e atendimento às pessoas em maior vulnerabilidade social.

“O fórum é um marco inicial do debate translacional entre médicos, médicos-veterinários e biólogos para discutir a saúde única como deve ser: de forma global, gerando integração entre os grupos para buscar soluções aos desafios futuros”, disse o pesquisador.

A dimensão animal foi contemplada também por outra pesquisadora do instituto, Carla Campos, que abordou as consequências da pressão humana sobre os animais e o meio ambiente. A médica-veterinária relatou as ameaças à saúde mundial, à segurança alimentar e à economia que demandam políticas públicas de saúde única como resposta à prevenção a surtos de doenças zoonóticas e pandemias.

Para completar o tripé da saúde única, a perspectiva ambiental foi abordada pela bióloga Andrea Vanini, e a dimensão humana pela médica Elba Lemos, ambas pesquisadoras da Fiocruz. Já Douglas McIntosh, microbiologista da UFRRJ, apresentou uma provocação sobre o futuro da saúde única.

Abilio encerrou o fórum motivando os presidentes de regionais a incluírem, cada vez mais, a saúde única em eventos e congressos realizados nos estados, além de articular para que as faculdades tenham uma disciplina específica e incentivem os profissionais a produzir artigos técnicos e científicos.

“O desafio é grande e nada é absolutamente fácil, mas talvez com pequenos objetivos possamos mudar a vida de um animal, de uma pessoa, e contribuir para a saúde do planeta. Mesmo que não seja possível vê-lo, o futuro nos aguarda e a construção depende do que for feito agora”, concluiu.

No exercício da Presidência durante a CNP, a vice-presidente, Ana Elisa Almeida, representou o presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti de Almeida, que está de licença médica. Ela recebeu o convite do colega Abilio com a consciência de que é preciso agir. “Somos todos responsáveis pela saúde de forma integrada e vamos levar o desafio aos nossos estados para que o fomento continuado da saúde única seja reforçado”, garantiu.

Como representante da Medicina Veterinária brasileira na World Veterinary Association/Associação Veterinária Mundial (WVA), o secretário-geral do CFMV, Helio Blume, respondeu aos ensinamentos do fórum com a convicção de que precisam ser apresentadas as soluções para lidar com a variantes de um país de dimensões continentais como Brasil.

“Em virtude do cenário sanitário e econômico mundial, os médicos-veterinários estão sendo considerados o fiel da balança e os brasileiros têm protagonismo nesse momento, mas o problema básico ainda é de formação”, explicou. Professor universitário, Blume esclarece que as faculdades ensinam saúde pública, mas ainda não são enfáticas com a saúde única. “Avançamos, mas as escolas não estão formando profissionais que tenham noção desse conceito”. Como conselho profissional, Blume assegurou que o CFMV tem atuado para unir os organismos nacionais e internacionais em defesa de uma única saúde. 

Câmara

A CNP visa unificar a atuação do Sistema CFMV/CRMVs e compartilhar as experiências e trabalhos desenvolvidos pelos conselhos Federal e regionais. “Buscamos um sistema fortalecido para desempenhar a missão essencial de fiscalizar o exercício profissional da Medicina Veterinária e da Zootecnia”, destacou a vice-presidente. “Como o presidente Francisco Cavalcanti sempre afirma, o Sistema é nosso, não podemos errar e caminhamos lado a lado dos regionais”, acenou Ana Elisa.

O anfitrião da CNP demonstrou contentamento em sediar o evento. “É uma satisfação tê-los aqui e é sempre um orgulho quando a nossa cidade é premiada com a presença de vocês”, registrou o presidente do CRMV-RJ, Rômulo Spinelli, durante a abertura da câmara.

A reunião marcou a entrega do Siscadweb, sistema utilizado pelos regionais para cadastro de profissionais e empresas. Em formato 100% on-line, o sistema moderniza a forma de acesso completamente pela web, com novas funcionalidades disponíveis aos profissionais, como o pré-cadastro e o agendamento de atendimento presencial, e novidades de gestão para os CRMVs, com acesso aos de relatórios gerenciais administrativos e financeiros.

Na agenda, os presidentes ainda debateram questões sobre ensino a distância, anuidade, recuperação de créditos, responsabilidade técnica, articulação política para pautar os interesses profissionais e a definição de uma agenda de prioridades para disciplinar assuntos que são rotineiramente demandados na maioria dos regionais.

O evento foi palco de duas premiações. O coronel veterinário da reserva do Exército Brasileiro, William Ribeiro Pinho, recebeu a Comenda Muniz de Aragão, edição 2022. O Sistema ainda prestou homenagem ao médico-veterinário, José Freire de Faria, que completou 100 anos em abril, dos quais 72 dedicados à Medicina Veterinária.

Participação

Pela primeira vez, participaram da CNP os presidentes recém-eleitos dos CRMVs do Amapá, Rackel Barroso; e do Maranhão, Licindo Rodrigues Pereira.

O evento também marcou a despedida dos atuais presidentes do Maranhão, Francisca Neide Costa, que assume a vice-presidência do regional; da Paraíba, Valéria Cavalcanti, que deixa o cargo em agosto; e de Rondônia, Licério Magalhães, que se despede do Sistema no final de junho.

Com exceção de São Paulo, cujo presidente esteve ausente por questões de saúde familiar, a CNP contou com a participação dos demais líderes dos regionais. A próxima CNP será em agosto, no Rio Grande Sul. “Mesmo com pouco tempo de gestão, será uma honra recebê-los para trocar ideias sobre o futuro das profissões e para visitar a Expointer. Contamos com a presença de todos”, convidou Mauro Moreira, presidente do CRMV-RS.